Hoje vi um puto vestido com uma camiseta do cristiano rónaldo a empurrar uma bicicleta com os dois pneus em baixo. Lembrou-me a passagem do "A Confissão de Lúcio" do Sá-Carneiro que não teve direito a nome de unidade aeroportuária que dizia algo como: "Ouviste aquele cego a tocar desafinado um trecho de Paganini? Assim é a minha vida, uma bela composição muito mal interpretada..."
Se voltar a ver o chavalo peço-lhe um autógrafo...
"Foi a partir desta altura que percebi que a linguagem do cinema não era para mim. Nem os seus compromissos sociais, nem as suas diplomacias técnicas e artísticas, nem os mitos, nem os fascínios, nem a pressa, nem o dinheiro. Uma língua, sim. Perder tempo a pensar com ele e envelhecer a filmar pessoas e coisas, sim. Mas a estatura, a farda, o valor de troca que se exige hoje a um filme, isso é tudo triste. Neste trabalho, o que é bom é não haver negociação, nem um princípio nem um fim, nem resolução.
O cinema é movimento. É este movimento de vaivém sem nunca saber se estamos a recuar ou a ir para a frente. E quanto mais queremos avançar, mais parece que recuamos.
A mim, sempre me afligiu muito ver cinema. Morri mil mortes a ver certos filmes e quero continuar a morrer sem ser obrigado a ressuscitar. E o mesmo serve para ver pintura, ouvir música, ler. Com mais ou menos talento, com mais ou menos cinefilia, parecemos uns tontos a tentar escapar desse velho, irreparável argumento."
Pedro Costa numa entrevista qualquer...
Em conformidade, constatar com brilhantismo intelectual e apuradas aptidões auriculares que o arrastar de um tabuleiro de plástico sobre uma tábua de passar a ferro se revela uma inovadora técnica de scratching cujo nome baptizo de imediato de heavy-metal rap leva-me a concluir que descobertas como a daquele gajo a quem caiu uma maçã na cabeça não passam de merdosas pantominices irrelevantes...
Não existe nada mais frustrante do que discutir com criaturas pouco dadas aos exercícios da razão...
Disse-me um dia que fumava, bebia e comovia-se demasiado. Achei que me descrevia. Dizem que o tempo tudo cura. Não, caralho, não cura nada! Só traz rancores e arrependimentos cheios de ranço...por vezes creio que não existem árvores suficientes para enforcar tanta tristeza...foda-se para esta merda...
A operária da biblioteca entregou-me um Chesterton acompanhado por um marcador do ministério da saúde com a frase "eu e tu... duas boas razões para usar preservativo". Fico imaginariamente fodido quando gozam com a minha condição de abstinência sexual forçada.
Sempre julguei que a palavra bonomia se referia a um musical composto por aquele badameco irlandês que trabalha para a unicef e para a louis vuitton e que nos tempos livres nos fode a cabeça numa banda que tem uma letra e um número cujo nome agora me escapa devido ao tinto ingerido ao almoço. Afinal trata-se de um estado de alma do qual ando deficitário.
Aqui.